Abrigo Pede Socorro

Publicado no Jornal A Esperança

Instituto Juvino Barreto precisa de doações e voluntários

A voluntária Carolina (à direita) e Creuza (Foto: Arquivo Pessoal/ Carolina Outeda)

O maior abrigo de idosos do estado do Rio Grande do Norte, o Instituto Juvino Barreto, vive o período de estabilidade administrativa, após superar uma crise em sua gestão estrutural, iniciada em 2010. A instituição presidida pelo padre Inácio Teixeira agora enfrenta uma crise financeira, devido ao atraso no recebimento de verbas do estado e a falta de donativos, que tem deixado o Juvino Barreto em uma situação delicada.

Há mais três meses a folha salarial dos funcionários está atrasada. O estado não repassa em dias a verba para o instituto. Isso repercute na qualidade da assistência aos idosos. Desestimulados, parte dos funcionários faltam ao serviço e há piora nos níveis de atendimento, higiene e limpeza do abrigo. Os problemas não afetam diretamente a qualidade na alimentação dos idosos, uma das prioridades da instituição, porém há demandas específicas da pessoa idosa, como medicamentos e alimentação dietética, por exemplo.

Além da verba recebida pelo estado, o Instituto Juvino Barreto se mantém com as doações em dinheiro e alimentos por parte da população. Parte dos idosos também contribui com uma parcela dos rendimentos da aposentadoria para o custeio da entidade. Cabe ao Conselho Municipal do Idoso ou ao Conselho Municipal de Assistência Social estabelecer a forma de participação, que não deve exceder 70% dos benefícios que os idosos recebem. No Juvino Barreto, essa contribuição é em torno de R$ 460,00.


A freira Enilde Leite, vice-presidente do abrigo, diz que as doações diminuíram consideravelmente, devido aos problemas administrativos ocorridos no passado, que culminaram na intervenção do instituto pelo Ministério Público, em Junho de 2010. No ano seguinte, a intervenção chegou ao fim, mas problemas internos vieram à tona, obtendo grande repercussão na mídia e intensificando os danos à imagem da instituição. As doações ao instituto despencaram. No telemarketing, a angariação de donativos caiu 80%. As doações recebidas através de débitos nas contas de água da Caern ficaram em torno de dois mil reais- valor que se mantém até hoje. Um número baixo, se comparado ao número de habitantes da grande Natal. 

Durante a crise, as atividades eram mantidas a duras penas. Por dia, gasta-se entre mil e dois mil reais para servir as seis refeições diárias dos idosos, mais a alimentação de funcionários. Eram em torno de setecentas refeições diárias. O abrigo adquiriu dívidas. A assistente social Célia Costa diz que os moradores do abrigo são exigentes: sentem-se pagantes e cobram boa alimentação e conforto no lar.

O diretor administrativo da instituição, João Rodrigues, critica a postura do estado: “As mazelas são as mais adversas. Não há interesse do poder público. É impossível você manter um idoso com R$460.00, mas o município entende que é. Aí tem que ter seis refeições por dia, atendimento médico 24 horas. E aqui os nossos idosos são pessoas excluídas. Nenhum deles possui um alto padrão de vida. Ao contrário: tiraram deles lá atrás. Eles chegaram ao fim da linha, muitos estão sequelados. E vão para onde? Para o Juvino Barreto e as demais casas para idosos. E há uma questão: o poder público e os orgãos de controle apontam a despesa e não aponta a receita. E aí há um desequilíbrio monstruoso”. João defende a construção do abrigo público pela prefeitura. Em meio aos apuros que o abrigo enfrenta- pouca verba disponível para a manutenção do abrigo e pagamento de salários de trabalhadores, dívidas, diz que hoje preferiria o fornecimento de profissionais pelo poder público a verbas.


O maior abrigo de idosos do RN possui atualmente 101 moradores, sendo 63 mulheres e 39 homens. As mulheres sempre representaram a maioria nos asilos. Vivem mais e algumas explicações para isso são o menor consumo de álcool e tabaco e pela relação mais estreita com os serviços de saúde. São mulheres, duas das moradoras mais antigas do abrigo, que lá vivem há mais de 25 anos e também a moradora mais velha, que tem 103 anos. 

Há um fluxo de familiares que fazem visitas frequentes, assim como aqueles que lá abandonam o seu familiar. Os assistentes sociais precisam ligar para lembrar a esses que há um idoso na casa. Alguns são sozinhos na vida. É o caso daqueles que foram encontrados nas ruas, sem documentos, sem familiares conhecidos.

As instalações físicas hoje dispõem de um pátio frontal (jardim), área de lazer (inclusive para atividades comemorativas), sala de televisão, sala de trabalhos manuais, bazar, salão de beleza, sala de estágio (fisioterapia e terapia ocupacional), capela, lavanderia industrial, câmera de lixo hospitalar e comum, farmácia, posto de saúde, salão para velório, secretaria, diretoria, sala de telemarketing, cinco pavilhões (três femininos e dois masculinos), além de quatro vilas.

No abrigo os idosos tem vida ativa. Recreação física, arte-terapia, fisioterapia, além dos cuidados de voluntários e visitantes, que sempre estão por lá. Eles também excursionam, vão à praia e festinhas proporcionadas em parcerias firmadas com o abrigo, que ajuda a arcar com os custos de transporte e operações. O abrigo recebe visitas frequentes desde excursões escolares a grupos musicais. A música, o folclore e a dança lideram a preferência dos moradores do abrigo. Adoram cantar, dançar. Nos eventos, a distribuição de lembrancinhas, presentes e lanches também leva muita alegria aos idosos do abrigo.

A freira Enilde Leite enfatiza a importância do apoio da sociedade. Doações poderão ser em alimentos, material de higiene e limpeza, dinheiro e serviços. O trabalho voluntário é muito importante: “Os idosos necessitam de carinho. Gostam de conversar, receber visitas. O trabalho de voluntários e o apoio que recebemos é sempre bem vindo.”


O Voluntariado


Na área de lazer, velhos e estudantes de enfermagem exercitam-se em círculo, jogando de mão em mão uma bola de plástico. Alguns deles esforçam-se para não deixar a bola ir ao chão. O que vale ali é se divertir e treinar a coordenação motora. E quem coordena essa atividade é o professor Pedro, voluntário do abrigo há seis anos e querido dentro do Juvino Barreto. Sempre que vai à instituição, anda pelos corredores, entra nas enfermarias convidando para fazer atividade física os idosos – os que já o esperam e os mais indispostos. Sempre próximos aos moradores mais ativos estão os cadeirantes, recebendo atenção de terapeutas e voluntários. Lá dentro, são classificados como “dependentes”. Os cuidadores buscam inseri-los em várias atividades. O trabalho conjunto de profissionais, voluntários e as doações recebidas são os responsáveis por grande parte da sustentação da qualidade do abrigo Juvino Barreto.


Olga, de blusa estampada, ao lado de José e cuidadores (Foto: Arquivo pessoal / Olga Lacuesta)


Os velhos criam vínculos fortes com os voluntários. Muitos destes não encontram palavras para definir a experiência de doar-se em prol do bem estar desses idosos. Olga Lacuesta, uma uruguaia de 68 anos, é aposentada e voluntária há quatro anos, junto com a filha, Carolina e uma amiga. No instituto ela doa aos velhos o que foi o seu ganha-pão durante parte de sua vida: Olga é massoterapeuta e com as mãos leva tranquilidade e conforto fazendo massagens nos moradores do asilo. Também lhes serve a sopa no jantar. Diz que realiza um sonho: “Trabalhar com idosos é um prazer. A doutrina espírita da qual sou seguidora, encaixa-se muito bem com o trabalho voluntário. A pessoa pode não falar, conseguir escrever, mas a expressão de felicidade quando nos reconhecem não tem preço. A retribuição é o olhar, o carinho. Olga canta, dança e alegra o ambiente. Carolina, 32, zootecnista, filha de Olga não esquece o que ouviu certa vez de uma senhora reservada que um dia aproximou-se dela para dizer: “Que coisa boa sinto quando você chega. Tudo isso aqui muda.” Muitos sofrem pelo abandono dos próprios filhos.





José Leônidas Vieira, 82 anos, é um dos moradores mais alegres do Juvino Barreto. Tem onze filhos e cinco netos, com quem conversa diariamente pelo celular. Conta que ao se separar, ficou triste e quis ir embora. A filha o apresentou o abrigo, que o agradou. Embora sinta saudades de casa e dos filhos é feliz onde vive. Orgulha-se das atividades que realiza na instituição: ele apresenta o lugar aos visitantes, recebe donativos e ajuda o padre nas missas realizadas na capela do abrigo. Diverte-se com as atividades organizadas dentro e fora do abrigo: gosta de bingo, dançar forró, lanches e fazer amizades.

 Como ajudar o Instituto Juvino Barreto:

Visitas: Diariamente, nos horários: 10h às 11h e 14:30h às 16h.
Entrega de donativos: Diariamente nos horários: 8h às 12h e 14h às 17h.

 Doações em dinheiro para o Instituto Juvino Barreto poderão ser feitas através de depósitos para conta jurídica da instituição:

Agência: 2870-3
Conta: 5209-4

 Doe através da conta de água:

O Instituto Juvino Barreto possui convênio com a Caern. O doador pode fazer o cadastro no site e escolher a quantia a ser doada mensalmente. O valor será debitado nas contas de água da Caern e o doador poderá escolher tanto a quantia a ser doada, como também a quantidade de meses de doações. Acesse o site da Caern:


Ou acesse o link:


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