segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Relato da Parada Gay de Natal

Vídeo sobre a Parada LGBT 2012



Para a nota da 3ª unidade da disciplina Opinião Pública, ministrada pela professora Cida Ramos, fizemos uma matéria em vídeo na Parada LGBT 2012, que em Natal aconteceu  na avenida Roberto Freire.
A professora Cida pediu que fizéssemos um vídeo ou artigo, abordando temas estudados em sala de aula. Durante aquele período, estudamos a opinião pública, seu significado a abrangência através da obra de Habermas, além de discussões realizadas em sala de aula. A professora solicitou um trabalho que abordasse o conteúdo visto em sala de aula. Temas não faltaram. Alguns colegas foram em cima do conceito da O. P. Outros, como eu, interessaram-se por assuntos diversos que convergiam para o tema.
Eu e meu colega Alberto Sampaio resolvemos gravar um vídeo sobre a Parada Gay. O evento aconteceria dia 16 de Dezembro de 2012- um sábado, a entrega do vídeo seria na segunda-feira. O desafio era a edição, que requeria tempo. Mas fomos lá. O resultado foi o vídeo abaixo:


Esperamos que gostem!

terça-feira, 1 de janeiro de 2013


Borderline. 


O compasso escolar ganha uma função macabra. Desenha linhas e buracos na pele.



B.
   Sentimento de que era rejeitada, inapropriada para tudo. Isso era o motivo da postura insegura e de um semblante de tristeza,  que aparentava muitas vezes. Sonhava acordada com a própria morte, um suicídio lento e com a total consciência de seu ser, no último fio da sua existência. Era nesse deleite que se trancava no banheiro com o estojo escolar. Sentada no chão, sacava da bolsinha barata o velho compasso enferrujado. Aí começava um ritual que repetia sempre: arrastando a ponta, uma agulha grossa, sobre a pele. Arranhões  em meio a soluços mudos, em locais específicos: ombros e quadris. O sangue brotava na pele em filetes e gotas. O cheiro de ferro, a pele enrubescida, inchada, quente. Um calor aconchegante tomava conta do pequeno banheiro. Então deitava no chão,  e passava muito tempo olhando para o braço fino. As veias pareciam pulsar com intensidade. Havia mais sinais a observar? Sim, arranhava-se mais e mais. Queria muito mais. E nesse deleite, chorava, sorria, inebriada. Era assim que sentia a vida... Não lembrava como, mas descobrira uma válvula de escape cortando-se com um compasso escolar. Talvez não houvesse jeito. Aquele objeto era seu instrumento de punição. Sentia carinho por ele. Naquele ambiente de refúgio que criara para si, estendida no chão, costumava ao fim de tudo dormir olhando para a pele que latejava. As lágrimas secavam e surgia um leve sorriso de contentamento. Plenitude era poder castigar-se, punir-se pela existência de si, aberração que era. faziaEstava fazendo em si o que deveriam ter feito, já. Como seria a sua morte? Assassinada? Sentia-se íntima e próxima do seu algoz, o ajudaria.
    O sangue parava de brotar, coagulara-se e então era hora de levantar-se, lavar-se para voltar à vida normal. Era a conexão com a realidade de volta. Vestia a roupa e voltava para o mundo, confortada.

Meu cantinho:

Em alguns dias poderemos nos sentir vazios, exaustos e tristes, sem ser aquilo que realmente somos. Nessas dias, mesmo se tentarmos travar contato com os outros, nossos esforços serão em vão. Quanto mais tentarmos, mais falharemos. Quando isso acontece, devemos parar de tentar entrar em contato com o que está fora de nós e voltar a entrar em contato conosco, a 'estarmos sozinhos'. Devemos fechar a porta para a sociedade, voltar a nós mesmos e praticarmos a respiração consciente, observando profundamente o que está acontecendo dentro de nós e ao nosso redor. Aceitamos todos os fenômenos que observamos, dizemos 'oi' para eles, sorrimos para eles. Fazemos bem em executar coisas simples, como meditação andando ou sentada, lavar roupa, limpar o chão, preparar chá e limpar o banheiro em estado consciente. Se fizermos essas coisas, restauraremos a riqueza de nossa vida espiritual". (p. 48)
Nosso encontro com a vida, do monge zen-budista Thich Nhat Hanh