Artistas sem em defesa dos quadrinhos

Segue abaixo a minha 1ª matéria publicada no site da Fotec, em 2011:
A matéria também foi publicada no blog do artista Miguel Rude;




No estande História em Quadrinhos, localizado no pavilhão da Feira do Livro (FliQ), estão à mostra títulos de livros e revistas em quadrinhos que abordam temas variados. Vão desde histórias infantis a temas históricos, thrillers psicológicos, dentre outros. A agência Fotec esteve lá e conversou com integrantes do estande. O que se pode encontrar por lá são quadrinistas e roteiristas do Rio Grande do Norte e de outros estados, que expõem seus trabalhos na Cientec e participam também da Feira de Livros e Quadrinhos de Natal (FliQ). Miguel Rude (roteirista e caricaturista), Wagner Michael (quadrinista e poeta) e Marcos Guerra (quadrinista e professor de artes) falaram sobre o evento, o trabalho que desenvolvem e o que pensam sobre a arte de desenhar histórias em quadrinhos.

Para Wagner Michael, as histórias em quadrinhos despertam uma nova visão (Foto: Adriana Brasil/AgênciaFotec)
Agência Fotec – Como está sendo expor o trabalho de vocês na Cientec?
Miguel Rude – Maravilha! Eu adoro a Cientec, venho todos os anos, temos muita coisa para ver e mostrar. Estamos nos sentindo criança em festa de doce (risos).
Wagner Michael – Somos abordados aqui por leitores, fãs de HQs e pessoas curiosas, que sabem muito pouco sobre histórias em quadrinhos. Eles nos fazem perguntas e, quando conhecem um pouco do que é essa arte, acabam por levar as nossas publicações e daí poderão conhecer um mundo novo.
Agência Fotec – Que mundo novo eles poderão conhecer?
Marcos Guerra – Uma forma diferente de enxergar. Quando você assiste a um filme, você poderá estar vendo a visão particular de um diretor. Ele pode pegar, por exemplo, o romance Dom Casmurro, de Machado de Assis, e filmar uma versão diferente da que o autor da obra talvez quisesse passar. Quero dizer que a história pode ser modificada, não refiro à qualidade, mas à visão, interpretação. Nos livros, quadrinhos, você pode ser o diretor do seu próprio filme.
Agência Fotec – Como está a recepção do público ao trabalho do quadrinista no país?
Wagner Michael – Temos uma certa dificuldade. Mas isso de um modo geral. Há um certo conservadorismo cultural. A mídia controla o que as pessoas vêem. A televisão, algumas revistas, por exemplo, impõem o que é bom e ruim. Você se vestir ou pentear-se de certa maneira está certo ou está errado. Em relação à arte, é semelhante. Os quadrinhos são pouco valorizados pela mídia. Recentemente, na revista Veja (edição nº 2238), saiu uma matéria depreciando o Enem por colocar histórias em quadrinhos nos exames. Então o que fazemos não é cultura?
Marcos Guerra – Sou professor de artes. Levei minhas publicações para a sala de aula. Espalhei revistas pela mesa. Quis deixar os alunos à vontade para ler. Eles escolheram, puseram-se a ler. De repente a sala ficou silenciosa, contemplei aquela turma barulhenta, naquele momento em silêncio, concentrada, lendo. E a emoção maior foi ver que eles absorveram sentidos profundos. A sua maneira, eles conseguiram entender arte! Alguns enxergaram, de um quadrinho pro outro, possibilidades que nem eu – o autor – tinha imaginado. Isso me emocionou.
Agência Fotec – O que podemos esperar para os próximos dias de FliQ?
Miguel Rude – Estaremos aqui, dispostos a trocar idéias com a galera, divulgar nosso trabalho, interagir e levar mais cultura às pessoas. Teremos oficinas, mesas-redondas. Convidamos a sociedade a participar, vale a pena!

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