sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O amor em imagens

Uma curta reflexão acerca de mim.

Eis abaixo, um texto que fiz no o 1º período, na aula de Oficina de Texto I, sobre o meu contato com a escrita e sobre mim.


Aos quatro anos de idade, aproximadamente, eu e minhas duas irmãs ouvíamos estórias contadas pela nossa mãe, antes de dormirmos. Lembro que gostava muito de observar as gravuras dos livros que ela lia para nós. Não queria só ouvir estórias, mas também ver as imagens. Ao ouvir as histórias imaginava muito e fazia muitas perguntas, até ela perder a paciência. Via as letras, não sabia o que diziam, até que, ao ficar maior, antes de iniciar a minha entrada na alfabetização, comecei a querer decifrar aqueles símbolos. E comecei a pedir livros de “estorinhas” de presente. Quando comecei a ler, não parei mais. Lia os meus livros e os dos outros... Lia tudo. O porquê disso? Meu sonho era, e ainda é, conhecer o mundo inteiro. Não digo apenas pelo lado geográfico. Me encanta sempre viver um mundo diferente do meu. Por meio das minhas leituras pude “viver” tanta coisa... viajei pela galáxia, investiguei crimes, cometi-os também, parei para repensar a vida... E já que estou falando em vida... ler ajudou-me a amadurecer, a fazer amigos, a desenvolver-me profissionalmente...

Fazendo uma reflexão acerca das fases da minha vida, posso dividir minhas experiências: na infância, livros sobre natureza e seus animais; na adolescência, gostava de ler sobre navegação, romances, autobiografias, segunda guerra mundial, movimentos musicais e arqueologia. Na juventude até os dias atuais gosto de romances, e tenho preferência por autores brasileiros. Destaco Ignácio de Loyola Brandão – como escreve bem! Emociona e diverte. Espero um dia ser como ele.

Acredito que os livros têm o poder de salvar as pessoas. A minha relação com a leitura e a escrita é assim. Ler um bom ou mau livro, escrever sobre qualquer coisa, sem compromisso, espontaneamente, ajuda-nos a ver determinadas situações sobre uma ótica diferente. Comecei a escrever diários aos quinze anos – época de mudanças... Nesse pacote, veio um mix de sensações: tive a minha primeira menstruação - isso mexeu comigo. “Já sou uma adulta”, pensava. Mas ser adulto para mim era algo bem diferente de como eu estava: insegura, sentindo-me feia, esquisita, desengonçada e cheia de espinhas. E sempre caída de amores por alguém, mas sem coragem de se fazer notar...

Sonhava muito, acordada. E queria me encontrar. Uma biblioteca, a dois quarteirões da minha escola era a fonte que eu ia beber, buscar identificação “nesse mundo de seis bilhões de pessoas e tantas coisas!” – expressão que eu gostava de usar. Eu buscava referências, queria me sentir igual às pessoas que eu conhecia, ou mesmo esquecer de mim. Passei muitas tardes por lá, indo embora só à noite.

Essas experiências foram cruciais na minha formação de leitora e “escritora” também. Escrevia muito, quase que diariamente. Sobre tudo, de coisas do dia a dia a reflexões sobre assuntos de interesse mundial. Como sempre fui a mais tímida e reservada de minhas quatro irmãs - todas mais novas do que eu - procurava esconder as minhas produções, mas duas pestinhas caçulas sempre encontravam os meus “esconderijos”. E liam os meus escritos e contavam os meus segredos diante de todos, na hora do almoço. Eu tinha um caderno de duzentas folhas. Depois passei para outro “volume”. Eu buscava desabafar e também gostava das palavras. Mas as minhas irmãs me incentivaram bastante. Até hoje falam que as “histórias do diário” eram ótimas e que elas se divertiam a beça. Eu também me divirto hoje com a cara-dura delas ao contar.
Atualmente trabalho em uma distribuidora atacadista, no setor de marketing. Trabalho com design gráfico, criando tablóides de supermercado, banners, cartazes, etc. Edito também uma revista-catálogo dos produtos que a empresa distribui no estado. Também já fiz parte da editoria de um jornalzinho interno voltado para os funcionários da empresa. O nome do jornalzinho era "Entre A  Gente". Trabalhávamos eu e mais três colegas do mesmo setor. Pesquisávamos, fazíamos pauta e as matérias. Para a nossa frustração, o jornalzinho deixou de ser publicado após algumas edições, mas a boa notícia é que o projeto foi autorizado novamente.  Essa experiência me trouxe felicidade, inquietação e realização pessoal. Fez com que eu decidisse trocar o curso de engenharia mecânica que eu levava aos trancos pelo de jornalismo. Depois de vários anos eu voltaria a pensar em jornalismo... Eu tinha descartado essa idéia a alguns anos por motivos pessoais, em uma época bizarra, em que eu tinha literalmente desistido de mim. Fato que não vem ao caso agora.  Eu escrevia matérias para aquele  jornalzinho. A diretora da empresa pedia um tema. Dependendo do que fosse, eu entrevistaria funcionários ou poderia usar o prático Ctrl C + Ctrl V da internet. Mas achava mais divertido pesquisar e depois produzir a matéria. Afinal, fosse o que fosse, parafuso ou contabilidade, acredito que sempre há utilidades e interesses a extrair de qualquer tema. Me divertia por conta do desafio e do público que eu desejava alcançar em especial: o pessoal da Logística, no jargão interno, os "peões": trabalhadores braçais, com o serviço mais cansativo da empresa e nossos leitores em maior número. No contato do dia a dia, sabia eu que poucos tinham o hábito de ler; a maioria desses lia os cadernos de esportes e notícias policiais, assim era a preferência também nos canais televisivos lá no restaurante de funcionários. Encarei aquele trabalho como uma missão honrosa, que seria levar para os colegas coisas interessantes, que os informassem, queria despertar o interesse daqueles alegres mas cansados trabalhadores que buscavam permanente valorização do seu trabalho.  Muitos sendo pais de família preocupados com o futuro dos filhos. Seja qual fosse o tema, eu pesquisaria, buscava entrevistar os funcionários, escreveria de maneira simples, buscando invocar o leitor. E qual não foi a minha maior emoção ao chegar a 1ª edição! Distribuímos o material e foi uma delícia ver as pessoas lendo atentamente o material, até aquelas matérias que poderiam não ser de muito interesse deles, mas eles se interessavam pela informação. Ficaram super felizes ao verem-se nas colunas sociais. E ao comentar as matérias! Quase chorava de emoção quando nos abordavam, dando sugestões de matérias, perguntando sobre novas edições e querendo participar, alguns diziam que faziam coleção... Nesses momentos, poderiam ser fatos simples, mas me faziam sentir uma realização que nunca havia experimentado antes, aos meus 29 anos. Eu gostava de gente e comunicação e estava fazendo comunicação social. Finalmente havia me "encontrado".

Bem, contei neste relato como começou o meu contato com a escrita. Eu arrisco a escrever poesias também. São bem simples, como o cordel, que eu gosto muito. Mas nas poesias falo de amor e solidão. Eu não as acho boas, mas quero melhorar.
Não considero-me uma “rata de biblioteca”, até porque fazia tempo que não freqüentava uma. Experimentei uma certa praticidade dos e-books, mas prefiro os bons e velhos livros de papel, e daqueles bem usados principalmente. Gosto do cheiro e da textura do papel "mal" ou "bem tratado" pelas mãos que ali tocaram... Isso me transmite vivacidade. Ah, eu adoro livros velhos!
No meu julgamento, preciso praticar e aprender profundamente a língua portuguesa, obter mais fluência na escrita e fala, isso me ajudará a realizar meu intuito de ser uma comunicóloga competente. Não tracei nenhum plano específico para o “trajeto” do curso de cinco anos de Jornalismo. Quero experimentar de tudo. Participar de eventos, mini-cursos... Aprimorar o que sei, ler mais e aprender.




Imagens da "folhinha" interna direcionada ao trabalhador:

Comunicação interna para a valorização profissional

Entre A Gente , o "jornalzinho da empresa"



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